Instituídas legalmente em 1914 e aplicadas em Moçambique entre 1917 e 1961, as classificações racistas de cidadania estabelecidas pelo governo colonial português levaram à criação da categoria do “assimilado” – africanos legalmente definidos como aqueles que haviam abandonado seus “costumes raciais”. A documentação produzida durante o processo para se tornar “assimilado” oferece informações valiosas sobre a complexidade das experiências africanas, tanto em seu envolvimento com a exploração colonial portuguesa quanto em sua resistência a ela. Com base em fontes localizadas no Arquivo Histórico de Moçambique, este artigo explora três aspectos fundamentais das experiências africanas no âmbito das políticas assimilacionistas coloniais portuguesas: (1) uma aproximação dos perfis sociais dos africanos que buscavam o reconhecimento legal como “assimilados”; (2) as estratégias de negociação, acomodação e resistência empregadas por africanos e africanas por dentro da hierarquia racista colonial; e (3) as transformações nos processos de assimilação, sua relação com as mudanças globais no colonialismo europeu e seu impacto sobre o domínio colonial em Moçambique.
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